Nos últimos anos, a taxa Selic se manteve em patamares elevados, em junho de 2025 chegando a marca dos 15% ao ano e influenciando diretamente as escolhas de milhões de investidores brasileiros. Muitos migraram para o Tesouro Direto, CDBs e LCIs/LCA, acreditando que esses eram os caminhos mais seguros para proteger o capital.
Mas e se eu te dissesse que existem FIAGROS (Fundos que investem no Agronegócio) pagando mais que a Selic, com rendimentos mensais, isenção de IR para pessoa física e lastro no setor que mais cresce no Brasil? Pois é, chegou a hora de olhar com mais carinho para os fundos do agronegócio listados na Bolsa.
Neste artigo, vamos analisar os dados mais recentes dos relatórios gerenciais de maio de 2025 e destacar 3 FIAGROS que estão superando a Selic com sobras. E mais: vamos entender o que explica esses rendimentos, o que são esses fundos, seus riscos e como você pode aproveitar essa oportunidade.

Conteúdo
- 1 O que é um FIAGRO e como ele funciona?
- 2 Por que FIAGROS estão pagando mais que a Selic em 2025?
- 3 1. FGAA11: Rendimento com originação própria e DY de 15%
- 4 2. VIGA11: Gestão da Vinci e diversificação com foco em qualidade
- 5 3. RZAG11: Perfil High Yield e distribuição acima de 16%
- 6 Riscos e cuidados ao investir em FIAGROS
- 7 Como incluir FIAGROS na sua carteira de forma inteligente
- 8 Conclusão: Oportunidade real ou modinha passageira?
O que é um FIAGRO e como ele funciona?
Os FIAGROS (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio) foram criados em 2021 para permitir que investidores comuns participassem dos lucros gerados por um dos setores mais robustos da economia brasileira: o agronegócio.
Esses fundos aplicam recursos em ativos como:
- CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)
- Direitos creditórios ligados à produção rural
- Imóveis rurais e até cotas de outros fundos agropecuários
O grande diferencial dos FIAGROS é que eles pagam rendimentos mensais isentos de imposto de renda para pessoas físicas, assim como os Fundos Imobiliários (FIIs). Mas com uma vantagem: o setor agro tem crescido acima da média da economia e se mostra resiliente a crises.
Além disso, os FIAGROS são negociados na Bolsa de Valores (B3), com cotação em tempo real e liquidez similar aos FIIs. Assim, é possível montar uma carteira diversificada e rentável sem sair de casa.
Por que FIAGROS estão pagando mais que a Selic em 2025?
A resposta está na estrutura dos ativos que compõem esses fundos. A maioria dos CRAs paga taxas prefixadas ou atreladas ao CDI, muitas vezes com spreads generosos. Em um cenário de juros altos, esses ativos geram um fluxo de caixa potente para os cotistas.
Por exemplo, Com a Selic em 15% ao ano, o Tesouro Selic 2031 com taxa de SELIC + 0,1032% entrega uma rentabilidade líquida de aproximadamente 12,08% ao ano, considerando o IR para resgates entre 6 meses e 1 ano. Em comparação, alguns FIAGROS vêm pagando entre 14% e 16% ao ano, livres de imposto de renda, o que representa um ganho líquido superior e mais dinheiro no bolso do investidor.
Outro ponto que explica essa performance é a gestão ativa. Muitos gestores têm origem em casas especializadas em crédito estruturado e fazem análises rigorosas de risco, diversificação setorial e duration das carteiras. Isso reduz inadimplência e permite ganhos mais consistentes.
1. FGAA11: Rendimento com originação própria e DY de 15%
O FGAA11 (FGA Agro FIAGRO) é um dos destaques de 2025 quando o assunto é alta rentabilidade com gestão especializada. Em maio, o fundo apresentou um Dividend Yield anualizado de aproximadamente 15%, com pagamentos mensais consistentes.
Um dos diferenciais do FGAA11 é que 77% da carteira é composta por ativos de originação própria. Isso significa que a gestora estruturou os CRAs diretamente, escolhendo os emissores e negociando condições vantajosas para o fundo. Isso aumenta o controle sobre riscos e permite melhores retornos.
A duration da carteira é de 2,14 anos, o que mostra um perfil moderado, com previsibilidade de recebimentos no curto/médio prazo. A estratégia do fundo também é bem equilibrada, com 63% da carteira em operações de carrego (longo prazo), 29% em giro (ganhos táticos) e o restante em cotas de outros fundos agro.
2. VIGA11: Gestão da Vinci e diversificação com foco em qualidade
O VIGA11 (Vinci Agro) vem ganhando destaque pelo seu perfil mais conservador e com forte foco em gestão de risco. Com um portfólio diversificado em emissores de alto grau de confiabilidade, o fundo tem mantido um DY de cerca de 14,4% ao ano líquido.
A carteira do VIGA11 é 100% composta por CRAs, e 82% estão atrelados ao CDI, o que o torna uma excelente opção para quem quer renda passiva ligada aos juros. Os CRAs possuem garantias reais e avaliação de risco criteriosa, sendo a maioria oriunda de empresas grandes do setor agroindustrial.
Com uma duration de 2,7 anos, o fundo se posiciona como uma opção de médio prazo, ideal para quem quer compor uma carteira estável e com previsibilidade de rendimento. A liquidez do VIGA11 também é boa, girando em torno de R$ 800 mil por dia, o que facilita entradas e saídas.
3. RZAG11: Perfil High Yield e distribuição acima de 16%
Para quem busca rendimento mais agressivo, o RZAG11 (Riza Agro FIAGRO) aparece como uma das opções mais atrativas de 2025. O fundo tem se destacado por manter uma distribuição mensal com Dividend Yield anualizado de mais de 16%, o que o coloca no topo do ranking de pagamentos entre os FIAGROS.
O portfólio do RZAG11 é composto por CRAs de originação própria e terceiros, com diversificação entre setores como agroindústria, exportação e produção de grãos. Além disso, os ativos possuem diferentes indexadores (CDI, IPCA, prefixado), o que protege o fundo contra oscilações macroeconômicas.
Outro ponto forte é a gestora Riza Asset, especializada em crédito estruturado, que vem mantendo boa performance mesmo em cenários adversos. O fundo também se destaca pela liquidez e regularidade nos repasses mensais.
Riscos e cuidados ao investir em FIAGROS
Apesar dos rendimentos elevados, é importante lembrar que FIAGROS não são livres de riscos. Como investem principalmente em títulos de crédito privado, estão sujeitos a:
- Risco de inadimplência dos emissores
- Volatilidade das cotas na Bolsa
- Risco de liquidez, especialmente em fundos menores
Além disso, o setor agro está exposto a riscos climáticos, variações cambiais e mudanças regulatórias. Por isso, antes de investir, é fundamental analisar:
- A gestora do fundo e seu histórico
- A diversificação da carteira
- O tipo de indexação dos CRAs (CDI, IPCA, prefixado)
- A duration e a classificação de risco dos ativos
Como incluir FIAGROS na sua carteira de forma inteligente
FIAGROS podem ser um excelente complemento em uma carteira de renda passiva. Mas é importante não exagerar na exposição. O ideal é que componham de 10% a 20% da carteira, dependendo do perfil de risco do investidor.
Uma estratégia eficiente é diversificar entre diferentes fundos: incluir um mais conservador (como o VIGA11), um mais agressivo (como o RZAG11) e um equilibrado (como o FGAA11). Dessa forma, você equilibra risco e retorno.
Vale lembrar que os rendimentos dos FIAGROS podem ser reinvestidos automaticamente em novas cotas, permitindo o efeito de juros compostos com renda passiva real e crescente.
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Conclusão: Oportunidade real ou modinha passageira?
Com rendimentos mensais, isenção de IR e distribuições que superam a Selic, os FIAGROS se consolidaram em 2025 como uma das melhores oportunidades de renda passiva da Bolsa brasileira. Mas, como todo investimento, requerem análise, acompanhamento e bom senso na alocação.
Se você busca diversificar sua carteira, proteger o poder de compra e ainda ganhar mais do que o Tesouro Direto oferece, vale muito a pena olhar com mais atenção para esses fundos. Especialmente enquanto os preços ainda estão atrativos e o mercado ainda não precificou todo o potencial do agro.
Mas fica o alerta: estude bem antes de investir, acompanhe os relatórios mensais, fique de olho nos indicadores e diversifique com inteligência.

