O Schwab U.S. Dividend Equity ETF (SCHD) passou por um dos seus mais expressivos rebalanceamentos desde a sua criação. Com um giro de carteira superior a 50%, muitos investidores começaram a se perguntar: será que o ETF SCHD ainda vale a pena? Neste artigo, vamos analisar com profundidade o que mudou, quais as implicações e o que isso representa para quem investe em ETFs americanos com foco em dividendos.
Conteúdo
- 1 O que é o ETF SCHD e por que ele se destacou entre os ETFs de Dividendos
- 2 Rebalanceamento Anual 2025: o que mudou no ETF SCHD?
- 3 Por que tantas empresas foram excluídas do ETF SCHD?
- 4 As novas empresas no ETF SCHD: O que elas trazem para a carteira?
- 5 As empresas que saíram do ETF SCHD: o que motivou essas saídas?
- 6 O impacto das mudanças no desempenho do ETF SCHD
- 7 Comparando o SCHD com outros ETFs americanos de dividendos
- 8 Pontos positivos e riscos do ETF SCHD em 2025
- 9 Afinal, ainda vale a pena investir no ETF SCHD?
O que é o ETF SCHD e por que ele se destacou entre os ETFs de Dividendos
O ETF SCHD é um fundo negociado em bolsa que replica o desempenho do índice Dow Jones U.S. Dividend 100. Ele busca empresas americanas que se destacam por pagarem dividendos consistentes e apresentarem fundamentos financeiros sólidos.
Criado pela Schwab Asset Management, o SCHD se tornou popular não apenas pelo yield atrativo, mas também pela qualidade das empresas selecionadas. Não estamos falando apenas de qualquer empresa que paga dividendos. O foco aqui é em sustentabilidade e qualidade dos pagamentos ao longo do tempo.
Entre os diferenciais do SCHD estão:
- Uma metodologia rigorosa de seleção
- Rebalanceamentos anuais para manter a qualidade
- Exposição setorial equilibrada com foco em estabilidade
Essas características fizeram dele uma das joias da coroa entre os ETFs de dividendos mais seguidos por investidores de longo prazo.
Rebalanceamento Anual 2025: o que mudou no ETF SCHD?
Em março de 2025, ocorreu o rebalanceamento anual do SCHD, e as mudanças foram intensas: 23 empresas foram excluídas da carteira e outras 23 foram adicionadas, resultando em um giro de 50,7%.
Isso não é pouca coisa. Em um ETF que tradicionalmente mantém os ativos por longos períodos, um rebalanceamento desse porte levanta questões sobre a consistência da estratégia e as condições do mercado.
As mudanças de exposição setorial também foram relevantes:
- Aumento de +3,3% em Energia
- Aumento de +3,2% em Bancos
- Redução de -4,1% em Semicondutores
- Redução de -2,2% em Serviços Comerciais e Profissionais
Essas alterações indicam uma tentativa de adaptar a carteira a uma nova realidade econômica, com foco em setores que podem se beneficiar de ciclos de juros e inflação diferentes.

Por que tantas empresas foram excluídas do ETF SCHD?
A principal razão para tantas exclusões tem relação com a metodologia do índice. O Dow Jones U.S. Dividend 100 Index utiliza quatro grandes critérios:
- Rendimento por dividendos
- Qualidade financeira (ROE, endividamento, etc.)
- Consistência de dividendos pagos
- Liquidez e capitalização de mercado
Empresas que reduzem dividendos, enfrentam desafios financeiros ou perdem relevância no mercado são naturalmente excluídas.
Em 2025, alguns nomes icônicos como 3M e Merck não passaram nesses filtros. Isso não significa necessariamente que são empresas ruins, mas sim que, segundo os critérios do SCHD, elas não estavam mais dentro do padrão de qualidade exigido naquele momento.
As novas empresas no ETF SCHD: O que elas trazem para a carteira?
Entre as 23 novas empresas adicionadas ao Schwab U.S. Dividend Equity ETF (SCHD), muitas se destacam por serem menos conhecidas do grande público, mas com potencial de crescimento e estabilidade de dividendos.
Ações Adicionadas ao SCHD:
- BMY — Bristol Myers Squibb
- HSY — Hershey Foods
- CINF — Cincinnati Financial Corp
- SWKS — Skyworks Solutions Inc
- CF — CF Industries Holdings Inc
- DKS — Dick’s Sporting Goods Inc
- TPR — Tapestry Inc
- EWBC — East West Bancorp Inc
- APA — APA Corp
- DINO — HF Sinclair Corp
- MTN — Vail Resorts Inc
- CHRW — CH Robinson Worldwide Inc
- NXST — Nexstar Media Group Inc A
- COLB — Columbia Banking System Inc
- NSP — Insperity Inc
- LKFN — Lakeland Financial Corp
- VRTS — Virtus Investment Partners Inc
- OXM — Oxford Industries Inc
- HTLF — Heartland Financial USA Inc
- AMSF — Amerisafe Inc
- GABC — German American Bancorp Inc
- PFBC — Preferred Bank
- FBMS — First Bancshares Inc
Essas empresas podem parecer pequenas perto de gigantes como Apple ou Microsoft, mas têm entregado retornos consistentes e dividendos regulares, algo essencial para a proposta do SCHD.
As empresas que saíram do ETF SCHD: o que motivou essas saídas?
A seleção rigorosa feita no rebalanceamento também resultou na exclusão de companhias relevantes, seja por queda na qualidade dos fundamentos ou alterações na política de dividendos.
Ações Removidas do SCHD:
- HAFC — Hanmi Financial Corp
- EBF — Ennis Inc
- RGR — Sturm Ruger Inc
- STC — Stewart Info Services Corp
- AGM — Federal Agricultural Mortgage
- AAP — Advance Auto Parts Inc
- LAZ — Lazard Inc
- PARA — Paramount Global B
- FAF — First American Financial Corp
- IP — International Paper
- NRG — NRG Energy Inc
- K — Kellanova
- TSN — Tyson Foods Inc A
- WSM — Williams Sonoma Inc
- NTRS — Northern Trust Corp
- NEM — Newmont
- ALL — Allstate Corp
- MMM — 3M
- ITW — Illinois Tool Inc
- BX — Blackstone Inc A
- ADP — Automatic Data Processing Inc
- MRK — Merck & Co Inc
- AVGO — Broadcom Inc
Essa revisão severa reflete a busca do ETF por manter apenas empresas que realmente estão alinhadas com os pilares de qualidade, consistência e sustentabilidade dos dividendos.
O impacto das mudanças no desempenho do ETF SCHD
Mudanças grandes como essa geram ansiedade em investidores, principalmente aqueles que apostam em ETFs como instrumentos de longo prazo. Mas é importante lembrar que a gestora busca preservar a proposta original do fundo.
Historicamente, o SCHD entregou bons resultados tanto em valorização quanto em rendimentos. O dividend yield médio tem ficado acima dos 3,5%, o que é atrativo em qualquer cenário econômico.
E temos uma novidade importante: o dividendo anunciado para o primeiro trimestre de 2025 (Q1) foi de $0.2488 por cota, um aumento de 22,16% em relação ao Q1 de 2024. Isso eleva a projeção de dividendos anuais para $1.0395 por cota, com um dividend yield estimado de 3,73%.
A expectativa é que, mesmo com as mudanças, o fundo mantenha sua característica de baixo custo (0,06% ao ano), foco em qualidade e estabilidade de receita. O comportamento dos novos ativos nos próximos trimestres será crucial para avaliar o sucesso do rebalanceamento.
Ex-Date | Payable Date | Dividend Amount |
---|---|---|
03/20/2025 | 03/31/2025 | $0.2488 |
Comparando o SCHD com outros ETFs americanos de dividendos
O universo dos ETFs americanos voltados para dividendos é grande. Mas como o SCHD se posiciona frente a outros nomes famosos?
Alguns concorrentes diretos:
- VIG (Vanguard Dividend Appreciation ETF): foca em empresas que aumentam dividendos.
- DVY (iShares Select Dividend ETF): busca alto yield, mas com menor foco em qualidade.
- JEPI (JPMorgan Equity Premium Income ETF): distribui renda via opções cobertas.
O SCHD acaba ficando em um meio-termo interessante: qualidade + yield + custo baixo. Essa combinação o torna atraente, principalmente para quem busca previsibilidade com uma estratégia passiva.
Pontos positivos e riscos do ETF SCHD em 2025
Pontos Positivos:
- Rebalanceamento focado em qualidade financeira
- Diversificação setorial mais robusta
- Mantém baixa taxa de administração (0,06%)
- Continua com bom dividend yield, agora estimado em 3,73%
Riscos e Pontos de Atenção:
- Possível queda de performance no curto prazo até consolidação da nova carteira
- Maior exposição a setores cíclicos como energia e bancos
- Alguns nomes adicionados são menos conhecidos e com menor capitalização
Vale lembrar que todo ETF está sujeito às condições de mercado e que a seleção automatizada não garante desempenho futuro.
Afinal, ainda vale a pena investir no ETF SCHD?
Apesar das mudanças significativas, o SCHD continua sendo uma opção forte para quem busca renda passiva estável em dólar. Seu foco em empresas com histórico de dividendos sustentáveis segue sendo o grande atrativo.
A rotatividade elevada de 2025 pode ser vista como um ajuste necessário a um novo ciclo econômico, especialmente considerando juros, inflação e desempenho setorial. A composição atual mostra uma carteira mais balanceada e, ao mesmo tempo, aberta a novas oportunidades.
Se você investe pensando no longo prazo, com foco em dividendos e qualidade, o SCHD continua relevante. Claro, como qualquer investimento, exige acompanhamento e revisão periódica. Mas até aqui, segue entregando o que promete: estabilidade com simplicidade.
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